quarta-feira, 19 de julho de 2017

Em Quarto Crescente - 5ª edição

De 19 a 22 de julho, o Largo Dr. Couto em Mangualde acolhe mais uma edição da iniciativa ‘Em Quarto Crescente: Noites de encontros com as artes em mente’. A edição deste ano terá como mote a celebração do 20º aniversário da Biblioteca Municipal Dr. Alexandre Alves. O evento, iniciativa da Câmara Municipal de Mangualde e da Biblioteca Municipal, conta com o apoio do Agrupamento de Escolas de Mangualde (através das Bibliotecas Escolares), da Papelaria Adrião, de Igor Figueiredo (serviço de bar) e Adelaide Pais (voz off). 

 Sob o mote “1997 – 2001: A infância da Biblioteca”, no dia 19 de julho vai subir ao palco a peça de teatro “Abílio, Guardador de Abelhas”, uma produção da Nicho – Associação Cultural, seguido de um espetáculo de música e dança protagonizado pelo Centro de Estudos Musicais Nancy. O comediante João Seabra irá assegurar um fim de noite cheio de gargalhadas com o seu espetáculo de stand up comedy. A noite de dia 20 arranca com a peça de teatro “A louca história da Península” do Teatro Peripécia, e termina com a atuação do grupo de jazz tradicional, Sinfo Dixie. A noite celebra o período de “2002 – 2006: A adolescência da Biblioteca”. A atuação do Chef Diogo e Zé Mágico, do grupo Omiri, e do artista Jonny Abbey são as propostas para a noite de 21 de julho que assinala a época “2007 – 2011: A juventude da Biblioteca”. A iniciativa termina no dia 22, com a animação a cargo da Associação Cultural Contracanto e da Orquestra POEMa, com o musical “Os Miseráveis”, com um espetáculo de stand up comedy por Francisco Menezes, e o concerto do grupo Trio Limbo. Ao todo são quatro dias dedicados à cultura, com teatro, música e comédia num ambiente de café concerto.
Vários alunos do agrupamento irão marcar presença através da leitura de textos alusivos ao tema de cada um dos dias. 
Esperamos por todos a partir das 21h e 30m!

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Retrato dos Jovens - Edição 2017


A Pordata disponibiliza a edição 2017 do "Retrato dos Jovens" - um resumo de indicadores que retratam os Jovens em seis áreas essenciais: população, família, protecção social e pobreza, educação, mercado de trabalho,digital.
Para consultar clique aqui!

terça-feira, 23 de maio de 2017

“Ciência em Três”

"Ciência em Três", é o novo website de recursos educativos para professores e educadores desenvolvido pelo IGC.

Com o objetivo de preencher a lacuna de recursos educativos de ciência disponíveis em Português, desde o pré-escolar ao ensino secundário, o "Ciência em Três" pretende inspirar o ensino da ciência em três tempos ou momentos considerados fundamentais para compreender o mundo à nossa volta: 1. perguntar; 2. explorar; 3. descobrir.

Catarina Júlio, membro da equipa de Comunicação de Ciência explica: "Esta plataforma e todos os recursos resultam de vários anos de interações, iniciativas e projetos entre o IGC e as escolas, para as quais muitos de nossos cientistas contribuíram de alguma forma."

O website pode ser consultado e partilhado aqui: 
Ciência em Três: http://ce3.igc.gulbenkian.pt 

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Digit Project - Final Meeting


Entre os dias 14 e 17 realizou-se na cidade de Salónica na Grécia a reunião final do Projeto "Digit - Digital Storytelling meets the world of work", um projeto Erasmus em que participámos nos últimos dois anos, envolvendo alunos do Curso Profissional de Técnico de Turismo.

 Nos dias 16 e 17 um poster do projeto integrou o seminário "VET- as a solution to leaving education learning" realizado pelo CEDEFOP, entidade que coordena o ensino profissional a nível europeu.

O balanço deste projeto é extreamente positivo, tendo sido uma experiência bastante gratificante quer para os alunos quer para os docentes que nele participaram, tal como ficou expresso nos vários instrumentos de avaliação que foram utilizados ao longo do projeto.


Muito obrigada aos nossos colegas finlandeses, italianos, romenos e gregos e ao Centro de Formação Edufor por esta oportunidade!



Dia do Autor Português

Hoje assinala-se o Dia do Autor Português,  um dia dedicado a todos os profissionais da criação e do desenvolvimento de ideias, criadores de bens culturais imateriais.

" [...] É precisamente este aspecto que diferencia o autor de um romance do inventor de um computador, o autor de uma ópera do construtor de uma auto-estrada. E ao celebrarmos o Dia do Autor, homenageamos aqueles que nos enriquecem com bens que, infelizmente, na sociedade contemporânea essencialmente materialista em que vivemos, são os menos valorizados. [...]  Daí a incontornável importância de entidades que os guiem e os apoiem, e que promovam as suas obras. Tanto mais, porque estão em causa autores e obras que consubstanciam a identidade cultural de uma sociedade, e isto no mundo globalizado em que vivemos e em que cada vez mais as diversidades culturais se tendem a diluir."

"

Texto extraído da mensagem do Dia do Autor 2012,

sexta-feira, 12 de maio de 2017

"Assemblages" - trabalhos do 12ºC

Encontra-se na biblioteca uma exposição de trabalhos dos alunos do 12º ano do Curso de Artes Visuais, realizados sob a coordenação da Professora Anabela Pascoal!
Não deixe de ver!



domingo, 7 de maio de 2017

Tenho de ir mãe… Tenho de ir…

Tenho de ir mãe, tenho de ir… preparei-te para este momento, avisei-te vezes sem conta, disse quando, disse como, fechei a porta e saí. Nunca acreditaste que o fizesse, nunca acreditaste que esse dia chegaria, dentro de ti existiu sempre uma réstia de esperança que seria sempre o teu menino, que seria sempre o teu companheiro, que ficaria “preso” no teu porto seguro.
Tenho de ir mãe, tenho de ir… o silêncio consome-te e é apenas quebrado pelas telenovelas e “Portugais em Festa”, olhas para o telemóvel na esperança que toque e cada dia que passa recorda-te o que tiveste e agora não tens… Vagueias pela casa fixando o teu olhar em recordações silenciosas de um passado que devia ser presente, mas está ausente…
Tenho de ir mãe, tenho de ir… preciso de queimar o jantar, dobrar mal a roupa, limpar a casa de banho e apreciar a ausência de cotão pelo chão. Preciso de pagar as contas, de usar as calças e sair das saias, preciso ser homem e deixar o menino…
Tenho de ir mãe, tenho de ir… olharei para casa como a minha casa, olharei para o quarto como o meu quarto, olharei para a almofada como a minha almofada, olharei e lembrarei o que sonhei, pensei, imaginei e que agora é mãe, agora é….
Tenho de ir mãe, tenho de ir… voltarei diferente, mais seguro, mais forte, mais marido, mais pai. Serei outro e serei o mesmo… Terei rugas, cabelos brancos, terei 30, 40, 50, mas para ti serei sempre aquele magricela de acne salpicado, que te perguntava se a roupa ficava bem e te dizia que não vinha tarde…
Tenho de ir mãe, tenho de ir… recorda o passado, vive o presente e abraça o futuro, ensina-me uma última vez mãe, ensina-me… ensina-me a deixá-la ir, ensina-me… pois um dia também eu tenho de a ver partir, também eu tenho de a ver bater a porta e senti-la fugir…
Tenho de ir mãe, tenho de ir…
Preciso de ir mãe, preciso de ir…
Deixa-me ir mãe… deixa-me ir…
Dedicado a todas as mães que nos deixaram ir…
Alexandre Henriques

A Mãe na Pintura


Uma seleção de pinturas de vários artistas dedicada à figura materna. Uma recolha da biblioteca que pode ser vista aqui!

Dia da Mãe

Pequeno Poema

Quando eu nasci,
ficou tudo como estava.

Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.

Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.

As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...

Pra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe...

Sebastião da Gama, in 'Antologia Poética' 

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Este mês nas bibliotecas...



Neste mês de Maio há três datas importantes  a assinalar: O Dia da Mãe, que se comemora a 7, o Dia da Europa (dia 9) e o Dia do Autor Português (a 22). Para todas elas as bibliotecas escolares planearam atividades destinadas a comemorar estas efemérides - "Horas do Conto" alusivas, exposições de materiais, oficinas e alguns concursos marcarão estes dias.
Entre os dias 2 e 8 os alunos do 4º ano assistirão à Hora do Conto "O beijo da Palavrinha" com o Kamishibai. No dia 9, na GEA realiza-se o Concurso de Spelling destinado ao 1º ciclo e no dia 10 haverá mais uma edição do "Hat Parade", este ano complementado com sessões de sensibilização de prevenção do cancro da pele. 
Na ESFA é possível ver a exposição "Assemblages" realizada pelo 12ºC (Curso de Artes Visuais) sob coordenação da docente Anabela Pascoal.
No dia 25 na Edufor Innovative Classroom decorrerão sessões sobre "Leituras e Tecnologias Inclusivas" destinadas aos alunos da GEA e da ACO.
Como já é habitual mantêm-se os desafios mensais.
Bom mês... boas leituras!






quarta-feira, 26 de abril de 2017

CNL - sessão distrital



Decorreu hoje em Castro Daire a sessão distrital do Concurso Nacional de Leitura. O nosso agrupamento esteve representado, no ensino básico, pela Beatriz Gomes, pela Margarida Santos e pelo Rodrigo Alves e no ensino secundário pela aluna Beatriz Lopes.
Na parte da manhã os alunos realizaram a prova escrita e, após o almoço, teve lugar a realização da prova oral, numa sessão muito bem-disposta conduzida pelo contador de histórias, Jorge Serafim.
Apesar de nenhum dos alunos ser apurado para a fase nacional, foi um dia bastante enriquecedor e que decerto aguçou o apetite dos jovens presentes para continuarem a participar nesta iniciativa.

terça-feira, 25 de abril de 2017

O dia das espingardas de flor na boca

Ilustração de Leonor Zamith
Temos uma vida de rotinas — de gestos e hábitos que marcam o nosso território, como um véu que vai caindo sobre nós e filtra a luz com que vemos.

Mas há pelo menos uma, duas, três vezes na vida — mais se procurarmos —, em que algo acontece: um rasgão no véu da rotina, que deixa entrar o caos, a luz, os fantasmas, as fadas, os anjos e os demónios. É só por um instante — uma aventura, por assim dizer — que depressa acaba, e nos deixa sós, a passar o resto da vida a tentar entender esse instante, a explicá-lo aos outros, a sonhar com ele ou a tentar repeti-lo.

Os celtas chamavam-lhe Samhain ou Beltane — a noite em que as fadas tomavam conta da terra para a encher de caos e encantamento. E Platão falava da divina loucura, inspirada umas vezes por Apolo, na forma de visões sábias, por Dionísio, como loucura dos sentidos, por Ares, através da violência descontrolada, e por Afrodite, na paixão amorosa. E cada uma destas loucuras podia — e isso tornava-a única — mudar o curso do mundo.

Ninguém sabe o que aconteceu no 25 de Abril ou porquê. Vendo as reportagens, os estudos, os testemunhos, multiplicam-se as teorias, as opiniões e a confusão. Mas algo aconteceu; algo com que ninguém sabia lidar, e cada um tentou resolver o melhor que pôde: o soldado que parou o tanque no sinal vermelho, a caminho da revolução, o capitão que prendeu a autoridade máxima do país, mas cumprindo o protocolo militar.

O 25 de Abril foi o Samhain e o Beltane português do século XX. Num país condenado a viver habitualmente, o amanhecer de Abril foi o dia mais sensual, descontrolado e eufórico das últimas gerações.

E no meio desse êxtase há uma paixão que ainda transborda das imagens que ficaram: o desejo. O desejo dos corpos unidos em multidões eufóricas, de grupos a colarem pele, suor e calor no cimo de tanques e de árvores, de homens e mulheres a abraçaram-se e a elevarem em conjunto os braços ao céu, roçando braços, peitos, cabelos e bocas. E o desejo é, sempre, a resposta ao medo. E esse desejo, no 25 de Abril, tornou-se uma espingarda a ser penetrada por uma flor.

Nos livros, as revoluções fazem-se por abstracções como a liberdade, a igualdade, a independência ou a economia. Nas ruas e praças, as revoluções fazem-se pelo pão, pelo trabalho, pelo desejo, pela vida, pelos outros, ou apenas pela alegria.

Jorge Palinhos
jornal Público 24.04.2014

domingo, 23 de abril de 2017

Conheça a Licença Creative Commons

A propósito do Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor, entenda para que serve e como funciona a licença "Creative Commons"!

"Da felicidade que vem nos livros"

Sugestão de leitura

Da felicidade que vem nos livros

Há livros que resumem vidas inteiras. E há livros que nos devolvem fragmentos da nossa própria vida – pedaços que já tínhamos perdido sem esperança de os reencontrar – mesmo aqueles que já tínhamos esquecido.

De cada vez que penso “nisso”, penso também nos lugares onde fui feliz com os livros e, de entre esses dois lugares, elejo dois: o Douro, no Verão quente à beira do rio; e numa das mais belas bibliotecas que visitei na infância: uma carrinha Citroen da Fundação Calouste Gulbenkian que, às quartas-feiras, religiosamente, estacionava no largo principal da aldeia onde eu passava férias (no Douro, o centro do meu mundo de então) e se enchia de gente que procurava uma água invisível para matar aquela sede feita de Verão, calor, preguiça, e imaginação.

Digo “imaginação” de propósito, porque não é possível falar de livros e de bibliotecas sem essa palavra, ou sem a palavra “sonhos”. Os livros são como os próprios sonhos: se se recordam é porque são realmente importantes. E se são realmente importantes é porque, de alguma forma, transformaram a nossa vida, ou perturbaram-na, ou tocaram-na em algum lugar.

Pouco há a escrever sobre uma biblioteca onde estão todas as palavras que poderíamos utilizar para a descrever e para a comentar – alinhadas em temas, em corredores onde o silêncio ou a penumbra, a luz ou o rumor do divertimento habitam como se fosse a sua casa. A biblioteca não é, por isso, apenas a casa do livro. Todas as imagens do mundo, do sonho, do riso, do medo, da dor, estão ali, abrigadas e aguardando a oportunidade de visitar quem as visita, folheando um livro, ignorando uma página em detrimento de outra, fechando um capítulo da consulta aos livros, que é como quem diz, da consulta ao mundo.

Dir-se-á que, provavelmente, o livro não traz a felicidade. Mas, também provavelmente, a imagem de felicidade que fomos construindo vem nos livros – e há-de ter um livro por perto. Um livro por onde copiar seja o que for.

Já se disse que a felicidade é um produto da nossa imaginação e da nossa cultura. Mas é nos livros que mais se fala dela – como um estado de espírito, uma ausência e um enigma. E dado que é na biblioteca que os livros se encontram (e em nossa casa, claro, e em qualquer lado, em qualquer lugar onde quisermos que eles estejam), é talvez aí que melhor se reconhece a perfeição e a imperfeição do mundo – a ideia ou o esquecimento da felicidade.

NEM SEMPRE É FÁCIL PENSAR UMA BIBLIOTECA: o que ela deve ter, o que ela deve oferecer, o que ela deve esquecer. É este, penso eu, um dos objetivos da biblioteca: fazer esquecer alguma coisa (o lembrar alguma coisa é objetivo comum, não vale a pena falarmos disso – deriva da ideia da biblioteca como grande reservatório do mundo), fazer-nos passear entre as estantes, esquecendo que o mundo está lá fora e que este mundo, o dos corredores repletos de livros, o das páginas revisitadas por prazer ou por obrigação, ou só por curiosidade, é que é o mundo verdadeiro. A vida eterna.

Falando sinceramente, a vida que vem nos livros é que é a verdadeira; foi nos livros que, pela primeira vez, ouvimos falar de amor; o primeiro gesto de renúncia, ou de medo, ou de alegria, aprende-se num livro, num fragmento de aventura ou de uma história escutada de dentro de um livro – esse instrumento afinadíssimo para escutarmos as grandes vozes, as que sussurram e as que gritam, as que vêm de longe para lembrar a distância que nos separa ou aproxima da felicidade, ou as que estão tão perto que apenas um levíssimo rumor basta para se tornarem mais reais.

Poderíamos repetir Lawrence Durrell (de Justine, do seu quarteto de Alexandria): podemos amar alguém, ou sofrer por alguém – ou, em alternativa, fazer literatura, isto é, escutar as vozes do mundo.

E, se falamos em felicidade, falamos também de perdição – ou seja, do direito, impossível de negar a um leitor, de se perder na magnífica contemplação de um título, de um parágrafo, sempre ao acaso das circunstâncias que o levaram por este ou por aquele atalho. É assim, também, que um geógrafo amador persegue a textura dos solos, o contraste das paisagens, a contiguidade ou fragmentação do povoamento: seguindo ao acaso pelo mapa, anotando isto ou aquilo na sua memória, voltando a ela quando vem a propósito.

COMO NOS SONHOS, PORTANTO. Ou seja: deixando que as coisas aconteçam por dentro, que é o sítio onde tudo de importante acontece.

Provavelmente, dirão que esta visão do pequeno universo das bibliotecas é demasiado benévola e, também, «poética» em excesso. Mas não há outra forma de ver o assunto. A vida é demasiado séria – demasiado fugaz também, para que a levemos muito a sério, como seres cabisbaixos que recusam o enternecimento e o riso só porque se sabe (de antemão, claro que sim) que a vida é pesada o suficiente para nos entristecer. Não há outra forma de ver o assunto: as bibliotecas são ilhas, pequenos continentes onde a fantasia ainda é possível e desejada.

O importante é que, precisamente por isso tudo, as bibliotecas sejam focos de resistência. Eu explico: hoje em dia, só se pode ser feliz através dos sonhos – são o espaço de liberdade que nos resta, liberdade absoluta, possibilidade absoluta. Como os sonhos passam para os livros, eu não sei nem posso explicar, senão pelo acaso de aos livros ser possível recuperar aquilo que não se diz de outra forma. Com um livro nas mãos somos livres bem lá por dentro. Deve ser impressão minha, mas os livros acabam por ser a melhor escola de liberdade: em primeiro lugar, ensinam-nos a propriedade coletiva (mas não coerciva) dos sonhos; ensinam-nos que um sonho é partilhável e, por isso, o que vem num livro não diz respeito apenas a um leitor; ensinam-nos que o que vem num livro (os sonhos, as explicações, as interrogações, as perplexidades) já uniu outros sonhos a outros sonhos, outras explicações a outras explicações, outras interrogações a outras interrogações, outras perplexidades a outras perplexidades; ensinam-nos que a verdadeira felicidade só existe porque vem descrita nos livros – e, se vem nos livros, é porque os livros a copiaram de algum lado. É bom saber isso, que a felicidade existe em algum lado. De contrário, não tínhamos razões para procurar.

E quando se aproxima o Verão, quando a Primavera chega e transporta consigo esse desejo enorme de preguiça, sesta a meio da tarde, eu lembro-me do Douro e da meia centena de vezes que li “A Cidade e as Serras”, de Eça de Queirós – e lembro-me dessa biblioteca ingénua e inocente onde, às quartas-feiras pelo fim da tarde, a minha tia me levava para escolher alguns livros que nunca chegavam para uma semana de felicidade.

Francisco José Viegas

(Adaptado do português do Brasil)

Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor

O Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor celebra-se hoje, em todo o mundo, mas em Portugal a efeméride associa-se ainda aos 150 anos da abolição da pena de morte, por proposta da Direção-Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas (DGLAB).
Com um cartaz desenhado pela autora Cristina Sampaio, no qual se vê um carrasco a rejeitar o ato da morte para ler um livro, a DGLAB incita à leitura e à celebração do livro como "um hino à vida" e, ao mesmo tempo, recorda que Portugal foi um dos primeiros países a abolir a pena de morte, no século XIX.
O Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor é uma iniciativa internacional da UNESCO e celebrou-se pela primeira vez em 1996, para promover o livro e leitura como ferramentas de inclusão e de formação cívica.
Em todo o mundo, a efeméride é assinalada com sessões de leitura, lançamentos editoriais e atividades de aproximação do livro a leitores de todas as idades.
Por decisão da UNESCO, este ano a capital internacional do Dia Mundial do Livro é Conacri, capital da Guiné-Conacri.
O Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor assinala ainda a morte do autor espanhol Miguel de Cervantes e do dramaturgo inglês William Shakeaspeare, a 22 e 23 de abril de 1616, respetivamente.


quarta-feira, 19 de abril de 2017

Este mês nas bibliotecas...


Este mês assinalamos a 23 de abril, o Dia Mundial do Livro! Receberemos o escritor Carlos Alberto Silva que dinamizará uma sessão para os alunos do 4º ano, dinamizaremos na ACO uma troca de livros e leituras e partilharemos com os alunos mais crescidos o belíssimo texto de Francisco José Viegas "Da felicidade que vem nos livros".
No dia 25 comemoraremos o Dia da Liberdade, animando alguns espaços da escola com materiais alusivos e dinamizando na ACO um concurso relacionado com o tema. 
No dia 26 participaremos com os alunos do 3º ciclo e do ensino secundário na sessão distrital do Concurso Nacional de Leitura que se realizará em Castro Daire e que visa apurar os representantes do distrito à sessão nacional. 
No dia 27 os docentes de Artes realizam o já habitual "Diálogo e encontro com diferentes profissões artísticas" dinamizando no espaço exterior e interior da biblioteca algumas exposições que aconselhamos todos a visitarem. Também na GEA os alunos do 3º E irão expôr os trabalhos que realizaram sobre o "Sistema Solar".
Ainda na GEA, durante a semana, será lida aos alunos do 3º ano a história "As palavras cor-de-rosa e as palavras cinzentas", iniciativa que integra a Semana do Respeito, um projeto do 1º ciclo, e os alunos do 2º ano assistirão à exibição do filme "Princesa Sofia - A Biblioteca Secreta".
Continuam os desafios mensais habituais!

Bom mês, boas leituras!

sexta-feira, 31 de março de 2017

Semana da Leitura - dia 5

Terminámos hoje a Semana da Leitura recebendo, na ESFA, o Rui Fonte que dinamizou a oficina de escrita criativa “Arquipélago de Palavras” na turma do 9º B.
Foram 90 minutos deliciosos, a “brincar com as palavras”, a estimular o lado criativo dos alunos e a demonstrar que escrever, pode ser uma grande aventura!
Muito, muito obrigada ao Rui Fonte por esta inesquecível partilha!

Foram vários os Encarregados de Educação que estiveram também hoje na turma do 10ºB, na aula da docente Fátima Pais, partilhando leituras com os alunos. Bem-haja a todos que fizeram questão de participar, uma vez mais!


E terminámos assim mais uma Semana da Leitura. A todos os docentes, alunos, auxiliares de acção educativa, Pais e Encarregados de Educação e elementos da comunidade que colaboraram nas atividades, o nosso muito obrigada. 

quinta-feira, 30 de março de 2017

Semana da Leitura - dia 4

Hoje durante a manhã, realizámos na ESFA mais uma exibição do documentário Amanhã que recomendamos vivamente a todos os docentes. O Dvd pode ser requisitado na biblioteca.

Durante a tarde, um grupo de alunos do 10ºB participou nas Leituras em Movimento em salas de aula da ESFA e da ACO.




Muito obrigada ao António Rafael, à Juliana, à Francisca e à Mariana e aos docentes que nos receberam: Gracinda Pereira, Helena Completo, Alzira Rocha, Anabela Almeida e Elisabete Cruz.

quarta-feira, 29 de março de 2017

Semana da Leitura - dia 3

Hoje iniciámos o dia da melhor maneira, recebendo o escritor Domingos Amaral. Formado em economia, e com Mestrado em Relações Internacionais na Universidade de Columbia em Nova Iorque, iniciou a sua carreira jornalística n’O Independente, tendo depois sido diretor da revista Maxmen. Como cronista, escreveu para o Diário de Notícias, Grande Reportagem e Diário Económico. Tem vários romances publicados, dentre os quais destacamos “Enquanto Salazar dormia”, “O retrato da mãe de Hitler”, “Verão quente”, “O fanático do sushi”, “Quando Lisboa tremeu”, “Os Cavaleiros de São João Batista” e “Assim nasceu Portugal” uma trilogia cujo último volume será editado em maio.
Hoje, para além dos romances que escreve, do blogue que “alimenta” quase diariamente, do programa desportivo na televisão onde é comentador, ainda dá aulas na Universidade Católica onde lecciona a cadeira de Economia do Desporto.





A Carolina Vouga fez uma breve apresentação do autor e leu um excerto do livro “Enquanto Salazar dormia” acompanhada à guitarra pelo Pedro Magalhães. Passou de seguida a palavra ao autor que começou por explicar como nasceu a paixão que tem pelos livros desde criança e a forma como a leitura desenvolve diversas competências a vários níveis. Falou depois do seu percurso enquanto aluno de Economia e do jornal universitário que o iniciou na escrita, da passagem pelo Independente e de como nasceu o seu 1º romance. De conversa fácil e bem-humorada, Domingos Amaral falou dos vários romances que já editou, da forma como nasceram as histórias, do processo de construção das suas personagens, do modo como trabalha e respondeu às várias questões que a plateia lhe colocou.


Foi um encontro bastante interessante e enriquecedor com o escritor, que estimulou em muitos dos presentes a vontade de conhecer melhor a sua escrita e que deixou mensagens bastante importantes aos alunos, tais como a valorização da leitura, a importância do trabalho, do método e da determinação para que se alcancem os nossos sonhos.

Muito obrigada a todos os presentes nesta sessão e um grande bem-haja ao Domingos Amaral que esperamos voltar a ver na nossa escola!

Na parte da tarde tivemos mais uma sessão da atividade "Novas leituras" na "Sala do Futuro", desta vez com os alunos de duas turmas do Jardim de Infância de S. Julião.  Muito obrigada também pela vossa presença!




terça-feira, 28 de março de 2017

Semana da Leitura - dia 2

Com o auditório repleto de alunos e docentes, realizámos hoje, no final da manhã, o já habitual espetáculo de partilha de leituras, "Dar voz às Palavras".

Apresentado pelas alunas do 11º ano, Beatriz Lopes e Mariana Lopes, contámos com a presença da Presidente do Conselho Geral, Dra Cristina Matos, que abriu a sessão, partilhando com a audiência o belíssimo texto "A cidade sonhada" do livro “Pensageiro Frequente” de Mia Couto..

Estiveram também presentes dando o seu contributo, o senhor vereador da Cultura, João Lopes, a diretora da Biblioteca Municipal, Dra Maria João Fonseca e o docente Octávio Mendonça.

Foram partilhados 22 momentos de leitura que incluíram várias línguas (português, espanhol, francês, inglês e japonês) e envolveram alunos de várias turmas.

No final foram entregues os prémios do Concurso Nacional de Leitura - fase de escola.


Agradecemos a todos os professores, alunos, funcionárias da escola e elementos da comunidade que contribuíram para esta Festa da Leitura.





Ao início da tarde recebemos na "Sala do Futuro" (Edufor Innovative Classroom Lab) dois grupos de alunos do Jardim de Infância Conde D. Henrique para a atividade "Novas Leituras". Os alunos ouviram a história "A Galinha Vermelha" gravada pelos alunos do 11ºK da Professora Adelina Figueira, entusiasmaram-se com as potencialidades do livro "ABC Funny" e no final desenharam alguns animais, utilizando o quadro interativo, os tablets e os quadros brancos. 


Às 14h e 35m exibimos no auditório o documentário "Amanhã" vencedor dos Prémios César 2016.

Os franceses Cyril Dion, activista, poeta, escritor e a atriz  Mélanie Laurent, andaram pelo mundo à procura de um modo melhor de viver. O resultado é este documentário que tenta mostrar pessoas com soluções para os maiores problemas de sustentabilidade que poderão levar a um futuro catastrófico, sem se focar muito nas piores consequências de continuar tudo na mesma. Tudo com uma perspetiva otimista. 







segunda-feira, 27 de março de 2017

Semana da Leitura - dia 1


Iniciámos hoje a nossa Semana da Leitura com a atividade "Todos a Ler"!

Na escola os alunos do ensino secundário leram uma adaptação do texto "Ler devia ser proibido" de Guiomar Grammon e para o 9º ano foi proposto um excerto de "A Biblioteca Mágica" de Jostein Gaarder. 

Ainda no período da manhã recebemos a vista do Senhor  Presidente da Câmara, Dr. João Azevedo e do Vice-Presidente, Eng Patrício que estiveram nas salas de aula com alunos do 11º e do 12º anos a partilhar leituras. 

No átrio da biblioteca é possível ver a exposição "Palavras Pintadas" cedida pela Biblioteca Escolar de Gouveia. Uma exposição realizada a partir de duas edições comemorativas da obra de Vergílio Ferreira que uniram as palavras do escritor com o traço de Júlio Resende (Estrela 2009 e Aparição, 1968).

Distribuímos leituras pelos alunos e decorámos alguns espaços da escola. Muito obrigada ao Sr. Rui pela fantástica árvore de poesia que nos fez.

Ficam as fotos!


sábado, 25 de março de 2017

terça-feira, 21 de março de 2017

segunda-feira, 20 de março de 2017

Impressões - trabalhos em linogravura


Encontra-se no átrio da biblioteca uma exposição de trabalhos dos alunos do 12º ano de Artes realizados sob coordenação da docente Anabela Pascoal.



Parabéns a todos!

segunda-feira, 13 de março de 2017

Concurso Nacional de Leitura - fase distrital

A fase distrital do Concurso Nacional de Leitura será disputada no próximo dia 26 de abril em Castro Daire.
Os alunos responderão a uma prova sobre as obras selecionadas para o seu ciclo de ensino, tal como consta do quadro que se segue:


O Regulamento pode ser consultado aqui!

quarta-feira, 8 de março de 2017

Marcador de livros


O marcador de livros que oferecemos hoje a assinalar o Dia Internacional da Mulher - a origem da data e uma seleção de livros com a Mulher como protagonista.  
Boas leituras!

Dia Internacional da Mulher

Em 1975 as Nações Unidas instituíram o dia 8 de março como o Dia Internacional da Mulher. Uma viagem às origens da data que simboliza uma luta de mais de 100 anos por direitos e igualdade.
Greve em Nova Iorque - 1910
Antes de existir o dia já havia a luta. No final do século XIX as mulheres começaram a sair à rua para pedir mais direitos. Organizações femininas dentro dos movimentos operários protestavam contra as 15 horas de trabalho diárias e os salários baixos.
As origens do Dia Internacional da Mulher chegam a 1857. A 8 de março um grupo de trabalhadoras da indústria têxtil organizou uma marcha em Nova Iorque para exigir melhores condições de trabalho, a jornada diária reduzida para 10 horas e direitos iguais para homens e mulheres. Cinquenta e um anos depois, a 8 de março de 1908, um outro grupo de trabalhadoras em Nova Iorque escolheu a data para avançar para uma greve, homenageando as antecessoras. Queriam o fim do trabalho infantil e o direito de votar.
O primeiro dia consagrado às mulheres e aos seus direitos surgiu um ano depois, assinalando essa greve. Nos Estados Unidos, a 28 de fevereiro de 1909, o Partido Socialista da América instituiu o Dia Nacional da Mulher. No ano seguinte, na Conferência Internacional das Mulheres Socialistas em 1910, em Copenhaga, na Dinamarca, foi aprovada uma resolução que propunha seguir o exemplo norte-americano, dando-lhe um caráter universal. O Dia Internacional das Mulheres nasceu aí e as comemorações foram-se estendendo pela Europa.
Mas há uma outra data importante nesta história - 25 de março de 1911. Nesse sábado, 146 mulheres morreram num incêndio na fábrica Triangle Shirtwaist, em Nova Iorque. A maioria das vítimas era imigrante. Os relatos desse dia contam que as mulheres estavam trancadas num nono andar. Muitas morreram queimadas, outras da queda, depois de se atirarem em desespero pelas janelas. O acidente chocou os norte-americanos e tornou-se emblemático da falta de condições de trabalho para as mulheres.
Num outro contexto, na Rússia, o Dia Internacional da Mulher começou a ser celebrado em 1913, e acontecia no último domingo de fevereiro. Ficou para a história o ano de 1917, durante a Primeira Guerra Mundial. A 23 de fevereiro (8 de março, no calendário gregoriano) centenas de trabalhadoras de fábricas têxteis entraram em greve e saíram à rua num protesto que pedia Pão e Paz.
Tantas referências a 8 de março terão levado as Nações Unidas a eleger a data oficialmente como Dia Internacional da Mulher em 1975.
A luta pelos direitos das mulheres tem mais de um século, mas as conquistas continuam a não ser universais.
Fonte: TSF

terça-feira, 7 de março de 2017

Este mês nas bibliotecas...

Março… mês da leitura!

Iniciamos o mês assinalando o Dia Internacional da Mulher, data instituída pela Organização das Nações Unidas em 1975 para celebrar a luta pelos direitos das mulheres.

As turmas do 5º G e 6º A, com as docentes Paula Amaral e Maria José Espinha, que se encontram envolvidos na iniciativa “Miúdos a Votos” 
participarão este mês na Campanha Eleitoral e na Votação dos seus livros favoritos. Será também lançada uma nova edição do concurso “Spelling” destinada aos alunos do 2º ciclo.

No dia 21 celebraremos o Dia da Poesia e da Árvore e nesta data terá lugar também a sessão distrital do Parlamento dos Jovens que se destina a apurar os representantes do distrito à sessão nacional que decorrerá no final do ano letivo.

Na ACO promove-se a literacia da leitura com sessões dirigidas ao 1º ano.

Os alunos do 12º ano do curso de Artes Visuais irão expor trabalhos de “Linogravuras” realizados com a coordenação da professora Anabela Pascoal.

Entre os dias 27 e 31 de março decorrerá a Semana da Leitura no agrupamento, cujo cartaz brevemente publicaremos.


Bom mês… boas leituras!

quinta-feira, 2 de março de 2017

Projeto Digit - 4rd Training Activity in Romania


No âmbito do projeto “Digit - Digital Storytelling meets the world of work”, um grupo de alunos do 11º L, acompanhados das docentes Esmeralda Martins e Teresa Beja, deslocou-se à cidade de Iasi na Roménia para participar num encontro do projeto com alunos da Finlândia, Grécia, Itália e Roménia. O programa de atividades seguiu o modelo dos encontros anteriores. Após as atividades de receção e as visitas culturais (ao Teatro Nacional de Iasi e ao Palácio da Cultura) foi dinamizado um workshop sobre o método a utilizar - “digital storytelling”- e prepararam-se as visitas a realizar no dia seguinte.
Divididos em grupos, os alunos visitaram as empresas/organizações que se disponibilizaram a colaborar e a partir do material recolhido, refletiram sobre o que viram, criando uma história digital que foi apresentada no último dia.
O grupo da nossa escola aproveitou ainda para visitar a cidade de Bucareste, conhecida como a “Paris do Leste”

Esta foi a última mobilidade externa do projeto em que os alunos participaram. Pelas avaliações realizadas em todos os encontros o balanço é extremamente positivo, sendo referido pelos jovens, que o projeto lhes permitiu adquirir/desenvolver várias competências, tais como, uma maior fluência na língua inglesa; a aquisição de novas competências informáticas, sobretudo ao nível do vídeo; o trabalho de equipa com jovens de outras culturas e experiências, com os quais é preciso muitas vezes "negociar"; o estímulo a serem criativos e inovadores, para além de toda a experiência de viajar para um país estrangeiro (para muitos deles, pela primeira vez) a qual se revela especialmente importante quando se frequenta um curso profissional de Turismo, como foi o caso dos alunos envolvidos.



quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017


Um retrato de Lisboa antiga e das profissões de outros tempos!

Para ver aqui 

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

"O Beijo"

A assinalar a Semana dos Afetos, encontra-se no átrio da biblioteca uma exposição de trabalhos dos alunos do 10º ano do Curso de Artes Visuais, sob coordenação da docente Cristina Vouga!

O Beijo nas Artes Plásticas

Uma recolha da docente Cristina Vouga!

  Beijo by Esfabib on Scribd

Sobre o amor...

Solteiros 3.0: o amor deixou de ser para sempre?

O solteiro 3.0 muitas vezes nem se chegou a casar e aterra sem pára-quedas numa espécie de meia-idade prematura, cheio de energia e alegria, como se tivesse renascido da uma morte lenta.

O mais provável é que nunca tenha sido para sempre. Não me refiro ao amor de pais aos filhos, esse doce sentimento familiar que raramente se corrói e subsiste a males e desgraças. Nem do amor ao próximo e aos animais. Falo do amor que nasce da paixão e fica quando ela não resiste. Estaremos perante um novo paradigma social, face à nova onda de relações assentes em contratos a termo?

Não me parece. A mudança a que estamos a assistir é condicionada e aparente. Condicionada, porque os nossos comportamentos só estão mais visíveis, mais transparentes e mais fáceis — socialmente esta mudança está a ser mais aceite. Aparente, pois há um século a esperança média de vida era de 50 anos e hoje ronda os 80. Vivemos mais! Portanto, muitos dos que achavam que amavam para sempre, simplesmente não viviam tempo suficiente para descobrirem que talvez não. O mesmo efeito acontece com a saúde: as doenças cardiovasculares só chegaram ao topo das causas de mortalidade porque as pessoas passaram a viver tempo suficiente para o provar, uma vez resolvido o problema das infecções.

Este é obviamente apenas um dos vértices da questão. Porque o argumento mais importante é que hoje as pessoas resistem menos a viverem num amor morto, numa relação que transforma o lar numa casa mortuária feliz, onde a câmara ardente se vive com a tranquilidade de quem se habituou à ideia que basta sobreviver. O tempo dessa condescendência já passou e, em parte, graças à tecnologia que vai denunciando as pequenas infidelidades e as grandes deslealdades. E uma vez descobertas, já ninguém aguenta. Até porque o solteiro 2.0 — o divorciado de há duas décadas — era um marginalizado social de que não há memória. O solteiro 3.0 muitas vezes nem se chegou a casar e aterra sem pára-quedas numa espécie de meia-idade prematura, cheio de energia e alegria, como se tivesse renascido da uma morte lenta. Mais do que tolerados, já são socialmente normais. Bem vistos, até, por terem tido a coragem de querer voltar a viver e a celebrar essa vontade em animados festins de grupo.

Essa celebração é saudável, porque é autêntica e genuína. Porque tudo o que faz querer viver mais e sorrir melhor vale a pena. Mas substituirá no longo prazo a necessidade de um amor que fique? Julgo que não.

Será o amor para sempre impossível? Não. Provavelmente só é muito difícil, como tudo o que vale a pena. Porque o mais fácil é apaixonarmo-nos. Complicado é mantermo-nos apaixonados, interessados. Não é obviamente em câmara ardente que se segura um amor para sempre, mas duvido que seja com renovação de roupagem que nos fazemos vestir de felicidade. Precisamos de saber dar aos outros como se fosse a nós mesmos e interessarmo-nos por quem amamos como se fosse connosco. Porque só assim nos mantemos interessantes, precisos, parceiros, nossos. Porque essa é a característica patente nas relações que duram: nas relações familiares, quase sempre imortais.

Embora fundamental, este altruísmo para com quem amamos não chega. Precisamos de saber renovar, de aprender e dar de novo, de começar tudo como se fosse hoje a última vez. Como se fosse a primeira vez, num rastilho com cheiro a pecado até o aroma ser doce outra vez. Porque um amor sem altos e baixos é como um deserto: adormecemos na monotonia de uma paisagem sem cor.

Pedro Barbosa
Jornal Público 7.05.2014