quarta-feira, 26 de abril de 2017

CNL - sessão distrital



Decorreu hoje em Castro Daire a sessão distrital do Concurso Nacional de Leitura. O nosso agrupamento esteve representado, no ensino básico, pela Beatriz Gomes, pela Margarida Santos e pelo Rodrigo Alves e no ensino secundário pela aluna Beatriz Lopes.
Na parte da manhã os alunos realizaram a prova escrita e, após o almoço, teve lugar a realização da prova oral, numa sessão muito bem-disposta conduzida pelo contador de histórias, Jorge Serafim.
Apesar de nenhum dos alunos ser apurado para a fase nacional, foi um dia bastante enriquecedor e que decerto aguçou o apetite dos jovens presentes para continuarem a participar nesta iniciativa.

terça-feira, 25 de abril de 2017

O dia das espingardas de flor na boca

Ilustração de Leonor Zamith
Temos uma vida de rotinas — de gestos e hábitos que marcam o nosso território, como um véu que vai caindo sobre nós e filtra a luz com que vemos.

Mas há pelo menos uma, duas, três vezes na vida — mais se procurarmos —, em que algo acontece: um rasgão no véu da rotina, que deixa entrar o caos, a luz, os fantasmas, as fadas, os anjos e os demónios. É só por um instante — uma aventura, por assim dizer — que depressa acaba, e nos deixa sós, a passar o resto da vida a tentar entender esse instante, a explicá-lo aos outros, a sonhar com ele ou a tentar repeti-lo.

Os celtas chamavam-lhe Samhain ou Beltane — a noite em que as fadas tomavam conta da terra para a encher de caos e encantamento. E Platão falava da divina loucura, inspirada umas vezes por Apolo, na forma de visões sábias, por Dionísio, como loucura dos sentidos, por Ares, através da violência descontrolada, e por Afrodite, na paixão amorosa. E cada uma destas loucuras podia — e isso tornava-a única — mudar o curso do mundo.

Ninguém sabe o que aconteceu no 25 de Abril ou porquê. Vendo as reportagens, os estudos, os testemunhos, multiplicam-se as teorias, as opiniões e a confusão. Mas algo aconteceu; algo com que ninguém sabia lidar, e cada um tentou resolver o melhor que pôde: o soldado que parou o tanque no sinal vermelho, a caminho da revolução, o capitão que prendeu a autoridade máxima do país, mas cumprindo o protocolo militar.

O 25 de Abril foi o Samhain e o Beltane português do século XX. Num país condenado a viver habitualmente, o amanhecer de Abril foi o dia mais sensual, descontrolado e eufórico das últimas gerações.

E no meio desse êxtase há uma paixão que ainda transborda das imagens que ficaram: o desejo. O desejo dos corpos unidos em multidões eufóricas, de grupos a colarem pele, suor e calor no cimo de tanques e de árvores, de homens e mulheres a abraçaram-se e a elevarem em conjunto os braços ao céu, roçando braços, peitos, cabelos e bocas. E o desejo é, sempre, a resposta ao medo. E esse desejo, no 25 de Abril, tornou-se uma espingarda a ser penetrada por uma flor.

Nos livros, as revoluções fazem-se por abstracções como a liberdade, a igualdade, a independência ou a economia. Nas ruas e praças, as revoluções fazem-se pelo pão, pelo trabalho, pelo desejo, pela vida, pelos outros, ou apenas pela alegria.

Jorge Palinhos
jornal Público 24.04.2014

domingo, 23 de abril de 2017

Conheça a Licença Creative Commons

A propósito do Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor, entenda para que serve e como funciona a licença "Creative Commons"!

"Da felicidade que vem nos livros"

Sugestão de leitura

Da felicidade que vem nos livros

Há livros que resumem vidas inteiras. E há livros que nos devolvem fragmentos da nossa própria vida – pedaços que já tínhamos perdido sem esperança de os reencontrar – mesmo aqueles que já tínhamos esquecido.

De cada vez que penso “nisso”, penso também nos lugares onde fui feliz com os livros e, de entre esses dois lugares, elejo dois: o Douro, no Verão quente à beira do rio; e numa das mais belas bibliotecas que visitei na infância: uma carrinha Citroen da Fundação Calouste Gulbenkian que, às quartas-feiras, religiosamente, estacionava no largo principal da aldeia onde eu passava férias (no Douro, o centro do meu mundo de então) e se enchia de gente que procurava uma água invisível para matar aquela sede feita de Verão, calor, preguiça, e imaginação.

Digo “imaginação” de propósito, porque não é possível falar de livros e de bibliotecas sem essa palavra, ou sem a palavra “sonhos”. Os livros são como os próprios sonhos: se se recordam é porque são realmente importantes. E se são realmente importantes é porque, de alguma forma, transformaram a nossa vida, ou perturbaram-na, ou tocaram-na em algum lugar.

Pouco há a escrever sobre uma biblioteca onde estão todas as palavras que poderíamos utilizar para a descrever e para a comentar – alinhadas em temas, em corredores onde o silêncio ou a penumbra, a luz ou o rumor do divertimento habitam como se fosse a sua casa. A biblioteca não é, por isso, apenas a casa do livro. Todas as imagens do mundo, do sonho, do riso, do medo, da dor, estão ali, abrigadas e aguardando a oportunidade de visitar quem as visita, folheando um livro, ignorando uma página em detrimento de outra, fechando um capítulo da consulta aos livros, que é como quem diz, da consulta ao mundo.

Dir-se-á que, provavelmente, o livro não traz a felicidade. Mas, também provavelmente, a imagem de felicidade que fomos construindo vem nos livros – e há-de ter um livro por perto. Um livro por onde copiar seja o que for.

Já se disse que a felicidade é um produto da nossa imaginação e da nossa cultura. Mas é nos livros que mais se fala dela – como um estado de espírito, uma ausência e um enigma. E dado que é na biblioteca que os livros se encontram (e em nossa casa, claro, e em qualquer lado, em qualquer lugar onde quisermos que eles estejam), é talvez aí que melhor se reconhece a perfeição e a imperfeição do mundo – a ideia ou o esquecimento da felicidade.

NEM SEMPRE É FÁCIL PENSAR UMA BIBLIOTECA: o que ela deve ter, o que ela deve oferecer, o que ela deve esquecer. É este, penso eu, um dos objetivos da biblioteca: fazer esquecer alguma coisa (o lembrar alguma coisa é objetivo comum, não vale a pena falarmos disso – deriva da ideia da biblioteca como grande reservatório do mundo), fazer-nos passear entre as estantes, esquecendo que o mundo está lá fora e que este mundo, o dos corredores repletos de livros, o das páginas revisitadas por prazer ou por obrigação, ou só por curiosidade, é que é o mundo verdadeiro. A vida eterna.

Falando sinceramente, a vida que vem nos livros é que é a verdadeira; foi nos livros que, pela primeira vez, ouvimos falar de amor; o primeiro gesto de renúncia, ou de medo, ou de alegria, aprende-se num livro, num fragmento de aventura ou de uma história escutada de dentro de um livro – esse instrumento afinadíssimo para escutarmos as grandes vozes, as que sussurram e as que gritam, as que vêm de longe para lembrar a distância que nos separa ou aproxima da felicidade, ou as que estão tão perto que apenas um levíssimo rumor basta para se tornarem mais reais.

Poderíamos repetir Lawrence Durrell (de Justine, do seu quarteto de Alexandria): podemos amar alguém, ou sofrer por alguém – ou, em alternativa, fazer literatura, isto é, escutar as vozes do mundo.

E, se falamos em felicidade, falamos também de perdição – ou seja, do direito, impossível de negar a um leitor, de se perder na magnífica contemplação de um título, de um parágrafo, sempre ao acaso das circunstâncias que o levaram por este ou por aquele atalho. É assim, também, que um geógrafo amador persegue a textura dos solos, o contraste das paisagens, a contiguidade ou fragmentação do povoamento: seguindo ao acaso pelo mapa, anotando isto ou aquilo na sua memória, voltando a ela quando vem a propósito.

COMO NOS SONHOS, PORTANTO. Ou seja: deixando que as coisas aconteçam por dentro, que é o sítio onde tudo de importante acontece.

Provavelmente, dirão que esta visão do pequeno universo das bibliotecas é demasiado benévola e, também, «poética» em excesso. Mas não há outra forma de ver o assunto. A vida é demasiado séria – demasiado fugaz também, para que a levemos muito a sério, como seres cabisbaixos que recusam o enternecimento e o riso só porque se sabe (de antemão, claro que sim) que a vida é pesada o suficiente para nos entristecer. Não há outra forma de ver o assunto: as bibliotecas são ilhas, pequenos continentes onde a fantasia ainda é possível e desejada.

O importante é que, precisamente por isso tudo, as bibliotecas sejam focos de resistência. Eu explico: hoje em dia, só se pode ser feliz através dos sonhos – são o espaço de liberdade que nos resta, liberdade absoluta, possibilidade absoluta. Como os sonhos passam para os livros, eu não sei nem posso explicar, senão pelo acaso de aos livros ser possível recuperar aquilo que não se diz de outra forma. Com um livro nas mãos somos livres bem lá por dentro. Deve ser impressão minha, mas os livros acabam por ser a melhor escola de liberdade: em primeiro lugar, ensinam-nos a propriedade coletiva (mas não coerciva) dos sonhos; ensinam-nos que um sonho é partilhável e, por isso, o que vem num livro não diz respeito apenas a um leitor; ensinam-nos que o que vem num livro (os sonhos, as explicações, as interrogações, as perplexidades) já uniu outros sonhos a outros sonhos, outras explicações a outras explicações, outras interrogações a outras interrogações, outras perplexidades a outras perplexidades; ensinam-nos que a verdadeira felicidade só existe porque vem descrita nos livros – e, se vem nos livros, é porque os livros a copiaram de algum lado. É bom saber isso, que a felicidade existe em algum lado. De contrário, não tínhamos razões para procurar.

E quando se aproxima o Verão, quando a Primavera chega e transporta consigo esse desejo enorme de preguiça, sesta a meio da tarde, eu lembro-me do Douro e da meia centena de vezes que li “A Cidade e as Serras”, de Eça de Queirós – e lembro-me dessa biblioteca ingénua e inocente onde, às quartas-feiras pelo fim da tarde, a minha tia me levava para escolher alguns livros que nunca chegavam para uma semana de felicidade.

Francisco José Viegas

(Adaptado do português do Brasil)

Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor

O Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor celebra-se hoje, em todo o mundo, mas em Portugal a efeméride associa-se ainda aos 150 anos da abolição da pena de morte, por proposta da Direção-Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas (DGLAB).
Com um cartaz desenhado pela autora Cristina Sampaio, no qual se vê um carrasco a rejeitar o ato da morte para ler um livro, a DGLAB incita à leitura e à celebração do livro como "um hino à vida" e, ao mesmo tempo, recorda que Portugal foi um dos primeiros países a abolir a pena de morte, no século XIX.
O Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor é uma iniciativa internacional da UNESCO e celebrou-se pela primeira vez em 1996, para promover o livro e leitura como ferramentas de inclusão e de formação cívica.
Em todo o mundo, a efeméride é assinalada com sessões de leitura, lançamentos editoriais e atividades de aproximação do livro a leitores de todas as idades.
Por decisão da UNESCO, este ano a capital internacional do Dia Mundial do Livro é Conacri, capital da Guiné-Conacri.
O Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor assinala ainda a morte do autor espanhol Miguel de Cervantes e do dramaturgo inglês William Shakeaspeare, a 22 e 23 de abril de 1616, respetivamente.


quarta-feira, 19 de abril de 2017

Este mês nas bibliotecas...


Este mês assinalamos a 23 de abril, o Dia Mundial do Livro! Receberemos o escritor Carlos Alberto Silva que dinamizará uma sessão para os alunos do 4º ano, dinamizaremos na ACO uma troca de livros e leituras e partilharemos com os alunos mais crescidos o belíssimo texto de Francisco José Viegas "Da felicidade que vem nos livros".
No dia 25 comemoraremos o Dia da Liberdade, animando alguns espaços da escola com materiais alusivos e dinamizando na ACO um concurso relacionado com o tema. 
No dia 26 participaremos com os alunos do 3º ciclo e do ensino secundário na sessão distrital do Concurso Nacional de Leitura que se realizará em Castro Daire e que visa apurar os representantes do distrito à sessão nacional. 
No dia 27 os docentes de Artes realizam o já habitual "Diálogo e encontro com diferentes profissões artísticas" dinamizando no espaço exterior e interior da biblioteca algumas exposições que aconselhamos todos a visitarem. Também na GEA os alunos do 3º E irão expôr os trabalhos que realizaram sobre o "Sistema Solar".
Ainda na GEA, durante a semana, será lida aos alunos do 3º ano a história "As palavras cor-de-rosa e as palavras cinzentas", iniciativa que integra a Semana do Respeito, um projeto do 1º ciclo, e os alunos do 2º ano assistirão à exibição do filme "Princesa Sofia - A Biblioteca Secreta".
Continuam os desafios mensais habituais!

Bom mês, boas leituras!